Conferências livres de juventude: instrumento que constrói a cultura da participação política

Por: Marccella Lopes Berte, Brasilia

Na semana passada foi lançada a II Conferência Nacional de Juventude do Governo brasileiro. A Conferência de Juventude é a grande marca das políticas participativas de juventude do governo federal e tem como um de seus instrumentos as conferências livres (veja o regimento).

Uma inovação que merece destaque, as etapas livres são realizadas presencialmente ou virtualmente em âmbitos municipal, estadual, territorial ou temático. Nessa edição a etapa livre é valorizada e ganha uma dimensão mais forte da sua abrangência e no apoio do meio digital.

O reconhecimento das etapas livres das conferências públicas, como instrumento valioso de participação se deu na prática, por meio da própria mobilização juvenil. Mais tarde na adoção do mesmo instrumento para outras conferências públicas.

Esse tipo de conferência foi adotado pela primeira vez no processo da I Conferência Nacional de juventude. De lá pra cá, outras também utilizaram esta metodologia como a I Conferência de Segurança Pública, as Conferência de Cultura e tantas outras, além de diversas conferências estaduais e municipais.

As conferências livres são uma forma de preparar o debate sobre os vários temas pelos quais perpassam a Conferência, no caso, de Juventude, ou seja, pelo universo da transversalidade do tema juvenil. Por meio de ferramentas digitais essas conferências são identificadas pela metodologia geral da conferência resultando num ranking dos principais temas que a juventude quer debater.

Além disso, é um indicador de quais principais temas a juventude está procurando se debruçar, ou interessada, ao passo de proporcionar a essa geração a vivência da participação.  Para grande maioria dos jovens, a conferência livre passa a ser o primeiro espaço de participação social.  Por isso, além de preparatórias são uma forma de estimular o ingresso na participação política pelo tema que se faz mais presente na sua própria realidade, ou mais sensível dentro do guarda-chuva que são as políticas públicas de juventude.

Nas conferências livres participa qualquer grupo de jovem reunido em qualquer espaço. O nome já diz: “livre”, cujos novos temas surgem a partir do olhar juvenil questionando sua própria realidade e propondo soluções sob novos pontos de vista. Dessa forma o debate passa a ser mais acessível atingindo as periferias, os núcleos escolares e universitários, as diversas tribos e identidades, sendo acima de tudo, um instrumento de mobilização para as conferências oficiais.

A dimensão territorial é um exemplo de inovação na medida em que a juventude desperta o seu olhar sobre o território, meio em que vive. O debate que resgata características e atinge dimensões que muitas vezes não estão no mapa político brasileiro, mas de realidades semelhantes com base numa determinada cultura ou mesmo de mesma característica natural.

A II Conferência Nacional de juventude tende a ser novamente um sucesso de participação, mobilização e fortalecimento das políticas públicas de juventude. Novos temas irão surgir, novos olhares, novas perspectivas e novos atores sociais entrarão na cena pública da construção da nossa democracia colaborando para o aprofundamento das mudanças no nosso país por meio das políticas públicas e da participação social.

*Marccella Berte é coordenadora nacional de movimentos sociais da JPT.

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