Chico Mendes é morto todo dia. Quem se importa?

Por Marccella Berte, desde Brasilia

Em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes foi assassinado na porta dos fundos da sua casa, quando ia tomar banho. Chico já havia anunciado que seria morto em função de sua intensa luta pela preservação da floresta Amazônica. Assassinatos semelhantes ao de Chico Mendes vêm acontecendo cotidianamente no Brasil nos dias de hoje . Mais de vinte anos depois da morte do seringueiro que virou mátir da luta em defesa da floresta e do meio ambiente a realidade ainda é muito parecida.

Está em curso uma onda de extermínio contra os que lutam pela terra e pela preservação da floresta Amazônica. No Brasil, na região Norte e Nordeste, Amazônia Legal , foram registrados uma série de assassinatos de lideranças políticas nos últimos dois meses. O alvo são sempre os líderes de assentamentos da reforma agrária, agroextrativistas, agroflorestais e até quilombos. Nas redes sociais, algumas entrevistas , notícias e artigos refletem a opinião de que essa onda tem relação com a tentativa de reforma do Código Florestal brasileiro, assunto que já tratamos aqui neste blog . A grande mídia brasileira pouco relata sobre esses assassinatos, em primeiro lugar, porque o monopólio dos meios de comunicação possuem a prática de criminalizar os movimentos sociais, e segundo, porque trata-se de conflitos agrários, tema, que em particular sempre foi tratado pela mídia, não como um direito social à terra, mas como um crime protagonizados por invasores e até terroristas da propriedade privada. Mas no último período esses crimes aumentou.

A ameaça de morte de Chico Mendes foi primeiro divulgada fora do Brasil para depois ser divulgada nos meios de comunicação brasileiros. Isso porque naquela época o governo brasileiro não estava nem um pouco preocupado com políticas de desenvolvimento sustentável.

Chico também lutava pela terra, pela regularização fundiária de reservas extrativistas (Resex) que garantíssem a sobrevivência dos trabalhadores que viviam da extração da borracha nas nossas florestas. Hoje muita política pública nesse sentido é realidade, mas a concentração fundiária ainda é muito grande. A onda de assassinatos recentes tem origem em conflitos por terra na Amazônia e assim como Chico Mendes essas lideranças mortas na maioria das vezes já haviam anunciado que estavam sendo ameaçados de morte. O governo brasileiro possui um programa de proteção às testemunhas, dentro do Ministério dos Direitos Humanos, mas o poder dos grandes empresários em regiões muito vulneráveis é muito maior. Tratam-se de crimes que entram na lista dos mais de 626 trabalhadores rurais assassinados nos últimos 26 anos, segundo um levantamento feito pela Pastoral da Terra. Uma média de 2 assassinatos por mês. Esses crimes fazem lembrar o destino trágico de outras lideranças, como próprio Chico Mendes. Este de quem já ouvimos muito falar. Um, dentre muitos, tantos outros que nunca ouvimos e poucos ouvem. Até quando vamos assistir a essas lideranças sendo mortas por defender seus espaços de vida, será que o Brasil não conseguiram resolver esse fundamental problema social é a concentração de muita terra nas mãos de tão poucos? Assim como o é preciso defender as florestas é preciso defender a vida dos que lutam pelas florestas, antes que tenhamos que ver um Chico Mendes a menos por dia sem nada mudar pra valer.

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