Los “indignados” en el mundo: Berlín


BERLÍN, por Yara Castanheira

Em Berlim, os indignados se reuniram na Alexanderplatz e seguiram para o Reichstag, o Parlamento Alemão. O dia estava lindo, fazia frio, porém o sol brilhava. Fui de bicicleta até o Parlamento e, nas calçadas pelo caminho, as mesas dos bares e restaurantes estavam repletas de gente a saborear o almoço, uma cervejinha, um café. Nenhum sinal de indignação, mas de satisfação, afinal, um dia de sol é coisa rara por aqui. Fiquei pensando se saberiam da marcha e mesmo assim haveriam optado por não participar dela ou se desconheciam o significado deste 15 de outubro.

Por um instante, cheguei até a duvidar da existência da manifestação em Berlim. No entanto, logo em frente ao Portão de Brandenburgo, um fluxo de manifestantes de várias faixas etárias e nacionalidades caminhavam em direção ao Parlamento. Uns levantavam faixas e carregavam barracas de camping, outros empurravam suas bicicletas e seus carrinhos de bebê. Os cartazes em punho traziam slogans como “Nós somos os 99%“, “Make love not money“ e “Se a Terra fosse um banco, vocês já a teriam salvado!“, à la Hugo Chaves ao atacar os países ricos durante a última conferência do clima em Copenhague.

Segundo os organizadores de “Occupy Berlin”, mais de 8.000 indignados foram às ruas da cidade, contudo, não há um número oficial. Em se tratando da capital e da maior cidade da Alemanha, com cerca de 3,5 milhões de habitantes, achei a manifestação ainda um pouco tímida, o que não reduz sua importância como parte de um movimento global. Já Frankfurt, com apenas 700.000 habitantes, contou com a maior manifestação do país, provavelmente por ser o centro financeiro. De acordo com a organização Attac, 8000 pessoas se juntaram em frente à sede do Banco Central Europeu (BCE). Há de se lembrar ainda que, na Alemanha, 50 cidades estiveram envolvidas.

Eu costumo atrair episódios pitorescos. Eis que estou em frente ao Parlamento fotografando a movimentação quando um homem que devia ter seus mais de cinquenta anos se aproximou de mim. “Há muito tempo eu não participava de uma manifestação e fico emocionado por estar presente hoje. A senhora poderia tirar uma foto minha com o Reichstag e os manifestantes ao fundo?” Prontamente, ele tirou do bolso um pedaço de papel com seu email escrito à mão e disse que poderia me dar 2 euros para que eu lhe enviasse a foto. Recusei o dinheiro e guardei o papel.

Esse tipo de abordagem não é nada comum na Alemanha e me surpreendeu. Se tive um pouco de receio de fornecer meu email a um estranho que poderia ter outras intenções além da foto, fiquei contente por vê-lo tocado pelo movimento. Ele tinha um ar perdido, um tom de Franz Biberkopf – personagem do romance de Alfred Döblin Berlin Alexanderplatz – ao retornar à capital, após quatro anos de isolamento.

De toda forma, o 15 de outubro rendeu frutos em Berlim. Amanhã, dia 22 de outubro, é dia de ocupar a cidade novamente, às 13h no Portão de Brandenburgo. Em seguida, está previsto o chamado “passeio pacífico” até o Parlamento, localizado na Praça da República, pois, como se pode ler na chamada do facebook, “Nós somos a República!”. E eu, desta vez, espero receber vários pedidos de envio de fotografia!

Yara es periodista brasileña y trabaja actualmente en proyectos culturales en Berlín. Recibió su título de maestría en Medios, Comunicación y Estudios Culturales de las Universidades de Kassel (Alemania) y Londres (Inglaterra).

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