Rio+20, COP18… um ano sem consenso global

Por Adriana Delorenzo
para Blog Das Cidades em associação com Fundação Friedrich Ebert Brasil

Desacreditada pelos movimentos, ONU realiza mais uma Conferência do Clima. Para ambientalista Aron Belinky, é preciso criar plataformas de participação democrática da sociedade civil.

Na segunda 26, teve início a 18ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas – COP18 – com representantes de 191 países em Doha, no Qatar. Novamente a questão das mudanças climáticas está em pauta, resta saber se as nações deixarão o evento com metas e compromissos efetivos.

Neste ano, expira o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, sem nunca ter sido ratificado pelos Estados Unidos, Rússia, Áustrália e abandonado por Canadá e Japão. Apesar disso, a COP18 prorroga o protocolo, estabelecendo um novo acordo global com metas de redução de gases de efeito estufa. A discussão traz mais uma vez à tona o conflito entre os países ricos e emergentes e o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

A dificuldade de se chegar a um consenso global já foi vista na Rio+20, quando movimentos sociais e sociedade civil ficaram desacreditados com as negociações no âmbito das Nações Unidas. O documento final produzido pela conferência – O futuro que queremos – recebeu críticas pela falta de ações concretas. Além disso, o conceito de “economia verde”, lançado pelo Pnuma, é apontado como uma forma de mercantilização dos bens comuns.

Apesar dessa descrença, o ambientalista Aron Belinky, coordenador da ONG Vitae Civilis, acredita que o documento final do Rio de Janeiro foi importante, pois, embora não se comprometa, reconhece a maior parte das agendas das lutas socioambientais.

Belinky destaca a dificuldade das negociações entre os países, “sempre condicionadas por uma rede de interesses”. “Não podemos virar as costas para o sistema multilateral da ONU, por mais que ele não seja efetivo, ele pauta”, afirmou, em entrevista coletiva a comunicadores durante oficina de jornalimo ambiental promovida pela Fundação Friedrich Ebert (FES) na sede da Viração, em São Paulo.

Com os países da Europa e EUA em crise, a pauta ambiental, porém, dificilmente é colocada como prioridade. Conforme explica Belinky, a agenda de desenvolvimento sustentável traz um caminho para a sociedade que hoje não é hegemônico. Pelo contrário, atualmente a economia é descolada da natureza e é difícil aceitar que o planeta tem limite.

O caminho que os países escolhem para sair da crise tem sido pautado pela lógica do consumo e não pela do bem-estar de todos. Para Belink, isso também acontece no Brasil. “O Brasil está trabalhando um projeto de desenvolvimentismo a lá anos 1970, um industrialismo da segunda metade do Século 20”, pondera.

Hora de ‘hackear’ a ONU

Enquanto a agenda do desenvolvimento sustentável encontra dificuldades para sair do âmbito do discurso, cresce o grupo dos chamados “céticos”, que negam o aquecimento global. Há ainda aqueles que propõem que a tecnologia é a solução para as mudanças climáticas. Um exemplo é o projeto de estocagem de carbono estudado pela Petrobras. A lógica é a seguinte: não aponta para a redução de emissões e ainda gera um novo negócio.

Mas e os limites do planeta? De acordo com a Global Footprint Networks, que mede o impacto dos seres humanos na Terra, a chamada “pegada ecológica”, em 2030, serão necessários dois planetas, se nada mudar. “Não tem jeito, o mundo tem limite, por isso tem que redistribuir para atender a todos, tem que mudar o modelo, e isso não se reconhece”, diz Belinky.

As saídas sugeridas pelo ambientalista são apostar na informação e na construção de pautas comuns que possam avançar. Ou seja tentar encontrar consensos e não inimigos. “Um dos pontos fundamentais é estarmos minimamente informados [sobre o que aconteece na ONU], hoje acho que não estamos”, afirma.

Outra questão é como os movimentos socioambientais e sociedade civil podem paticipar e influenciar os debates da ONU. Para isso, é fundamental que haja plataformas de participação. “A ONU está completamente perdida, não tem a menor noção do que significa trabalhar numa plataforama colaborativa”, explica Belinky. “Ela está querendo entrar na era da sociedade em rede e comunicação aberta mas não sabe como. Não adianta ter canais abertos, sem processo democrático.”, finaliza.

Adriana Delorenzo é jornalista, especializada em meio ambiente.

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