Protagonismo da juventude do campo na Amazônia

Primando por um processo de produção sustentável a curto e a longo prazo, os jovens agricultores/as na Amazônia criam estratégias e alternativas capazes de transformar as realidades e os desafios de inúmeras famílias camponesas a partir de ações que valorizem o campo como espaço de cultura, saberes tradicionais, da produção de alimento mais sobretudo da construção de conhecimentos.

Maria Mirian Ferreira Gomes
desde Marabá (estado do Pará, na Amazônia)

Faz necessário destacar o compromisso social e o protagonismo de jovens agricultores/as no sudeste do Pará, que a partir da reflexão sobre a ação e o contexto do campo e de ações práticas reconstrói modos de vida nas comunidades camponesas através de um processo de produção agrícola diversificado, pautado no cultivo da fruticultura.

São jovens agricultores/as que passaram por processos formativos técnico-profissional voltados para o contexto do campo. Tendo a realidade como objeto a ser pesquisado, onde puderam problematizar na escola os desafios vivenciados no campo e na prática experimentar junto a família e suas comunidades formas sustentáveis de lidar com o ambiente a partir do dialogo entre saber acadêmico e as vivencias dos participantes.

A dentre as diversas práticas destaca a iniciativa que surge com Federação das Cooperativas da Agricultura Familiar do Sul do Pará (FECAT), entidade vinculada ao Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais que trabalha a organização do cooperativismo na região Sudeste do Pará. A entidade trabalha na perspectiva do fortalecimento da agricultura familiar percebendo a necessidade de envolver cada vez mais a juventude no contexto sindical e produtivo. Pautou o projeto “Jovem Cooperativismo” tendo por finalidade a qualificação profissional e a geração de renda aos jovens agricultores e o fortalecimento do cooperativismo na região a partir do processo produtivo.

Neste sentido, a FECAT -em parceria com Programa Petrobrás Desenvolvimento e Cidadania– apoiada pelas entidades Federação dos Trabalhadores(as) na Agricultura do Estado do Pará, Sindicato de Trabalhadores/as Rurais dos municípios envolvidos e as cooperativas associadas à FECAT, tem incentivado vários jovens agricultores/as para o cultivo da fruticultura consorciada com essências florestais da região.

A atividade tem envolvido diretamente 100 jovens agricultores/as familiares de Projetos de Assentamento de Reforma Agrária dos municípios de Marabá, Nova Ipixuna, Itupiranga, Eldorado dos Carajás, Parauapebas, São Domingos do Araguaia e São João do Araguaia, localizados no sudeste do Pará. Nessas ações os jovens recebem formação e incentivo para pequenos projetos a serem desenvolvidos em seus lotes, junto as suas famílias. As iniciativas para além de enfatizar o cultivo de plantios de culturas permanentes como a fruticultura também possibilitam outros cultivos resultando retorno financeiro mais rápido as famílias além de diversificar as fontes para a obtenção de renda pela a família.

As ações do “Projeto Jovem Cooperativismo” têm gerado grandes resultados, desde a qualificação dos jovens e principalmente a consciência para uma produção agrícola familiar diversificada e sustentável contribuindo na recuperação ambiental de áreas degradadas e/ou alteradas pelo intenso processo de uso da terra.

Ainda tem gerado renda as famílias, movimentando o mercado local e regional. Incentivado os agricultores/as a organização para o processo de produção e comercialização pautado a partir de um processo de cooperação, fortalecendo as organizações sociais a partir de outra compreensão de mercado fortalecendo assim as cooperativas da agricultura familiar da região.

Também tem mostrado alternativas sustentáveis nas comunidades, alterado positivamente na dinâmica dessas localidades e, sobretudo elevado à autoestima e cultivado o protagonismo da juventude do campo a partir da valorização de suas práticas e saberes.

Agricultora, Militante do Movimento Sindical de Trabalhadores (as) Rurais/FETAGRI-PA.

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Amazônia: território em disputa

Espaço conhecido na mídia, nos livros e demais instrumentos de comunicação como um importante patrimônio brasileiro, lugar de ampla biodiversidade, de recursos minerais incalculáveis, possivelmente uma das maiores riquezas do planeta… Nesta dinâmica a juventude procura na Amazônia alternativas sustentáveis que contrapõem a lógica da exploração e expropriação e que valorizam a relação com a terra.

Maria Mirian Ferreira Gomes
desde Marabá (estado do Pará, na Amazônia) 

Falar da Amazônia é sobretudo colocar em evidencias diferentes dinâmicas e relações sociais que acontecem cotidianamente. Lugar onde habitam indígenas, agricultores familiares, posseiros, extrativistas, acampados, Sem-Terra, quilombolas, pescadores, ribeirinhos diferentes atores sociais que constroem histórias individuais e coletivas.

Por ser diversa, a Amazônia, muitas de suas narrativas continuam inviabilizadas, nisto, como diferentes sujeitos constroem, formas diversas de se organizar individual e coletivamente, de produzir e de lidar com o ambiente na sua relação com a terra. Diante dessa diversidade é também lócus de constantes lutas e resistências, de disputas de riquezas naturais e dos territórios em que se constroem e reconstroem dinâmicas sociais no conflito na luta por terra, direitos, dignidade, pelo respeito e permanência dos territórios de quem ali vivem.

Neste contexto está localizada região Sudeste do Pará, que configura-se como território em disputa, marcada por diversas transformações econômicas, sociais, culturais e ambientais desde o seu processo de ocupação.

Por um lado temos o capital com seu segmento agrário, madeireiro, minerador que se manifesta de forma exploratória, por outro é espaço onde aglutina mulheres, homens, jovens e crianças a partir de práticas sustentáveis constroem identidades próprias a partir de uma compreensão de valorização das florestas, do ambiente, de seus territórios, da vida, de uma agricultura familiar sustentável.

Nesta dinâmica se destaca o papel da juventude na busca de alternativas sustentáveis que contrapõem a lógica da exploração e expropriação dos recursos naturais, mas que trabalha numa lógica que valoriza a relação com a terra.

Sobre isso, a quem diga que a juventude é o futuro do país, expressão comumente reproduzida na família, nos espaços públicos, na mídia, na escola e em toda a sociedade… Mais que futuro diríamos que ela é, sobretudo presente, capaz de assumir responsabilidade e de forma ousada criar alternativas aos diversos desafios que condicionam a realidade dos jovens sejam eles do campo ou da cidade.

Agricultora, Militante do Movimento Sindical de Trabalhadores (as) Rurais/FETAGRI-PA.

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Rio+20, COP18… um ano sem consenso global

Por Adriana Delorenzo
para Blog Das Cidades em associação com Fundação Friedrich Ebert Brasil

Desacreditada pelos movimentos, ONU realiza mais uma Conferência do Clima. Para ambientalista Aron Belinky, é preciso criar plataformas de participação democrática da sociedade civil.

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A tentativa de Reforma no Código Florestal brasileiro e as Mudanças Climáticas

Por: Marccella Berte, Brasilia

O grande embate político ambiental no Brasil está na tentativa de flexibilizar a principal legislação sobre o tema, o código florestal, por iniciativa do poder legislativo. A proposta de mudança apresenta graves conseqüências ao meio ambiente brasileiro, entre eles inviabilizar que o Brasil atinja as suas metas de redução de emissões de carbono. No entanto esta não é das mais graves, mas sem dúvida isso irá interferir no cenário político internacional das discussões sobre a questão ambiental.

O Brasil não é obrigado, segundo o Protocolo de Quioto, do qual o país é signatário, a reduzir suas emissões de CO², pois não é considerado um país “historicamente emissor” como são os países que se industrializaram antes dos que hoje são considerados em desenvolvimento. Pelo contrário, o Brasil é voluntário na política mundial de clima, vide as últimas reuniões de negociação entre as partes, também conhecida como COP- Cúpula Mundial sobre Mudança Climática. Sigue leyendo

#Minha internet caiu!

Por: Marccella Lopes Berte, Brasilia

No Brasil, quando se faz uma campanha, defende-se uma idéia em conjunto, ou a expressão coletiva de uma mensagem por meio do twitter chama-se twitaço. Ontem era fácil perceber na timeline que era dia de twittar usando o símbolo do jogo da velha e a frase “minha internet caiu” . A ação tinha como objetivo pautar o Plano Nacional de Banda Larga – PNBL estratégico para as políticas de inclusão digital no país e foi organizada pela “campanha banda larga” realizada por uma série de organizações e movimentos sociais.

As frases com no máximo 140 caracteres defendiam, o direito à comunicação e o acesso universal à banda larga. Twittadas e retwitadas, ou seja, as frases transmitidas e retransmitidas por seguidores e seguidores dos seguidores organizavam uma verdadeira onda de mobilização em torno da idéia de que a sensação de ter sua internet interrompida também é a de ter seu direito obstruído. Os twitteiros progressistas querem um Plano Nacional de Banda Larga coordenado pela Telebrás e não pelas Teles privadas, ou seja, pelo monopólio das telecomunicações. “A minha internet caiu no colo das teles” era a expressão irônica, que funcionou como um alerta às autoridades, em espec ial ao Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

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